Dia Nacional do Folclore 2020 - Discurso do Presidente da Direção da FFP


2020-05-31

Dia Nacional do Folclore Português 2020
Discurso do Sr. Presidente da Direção FFP
Prof. Dr. Daniel Café

Estimados amigos folcloristas,
Dirijo-me a vós, folcloristas portugueses, neste Dia Nacional do Folclore Português, em moldes diferentes (com menos solenidade, é certo) mas imbuído da mesma alegria e satisfação que carateriza este dia que assinala tão expressiva temática para todos nós. Acresce a esta efeméride a comemoração do Dia Nacional das Coletividades, uma agradável coincidência que este ano ocorre e que reforça o simbolismo deste dia para todos nós.
Há meia década que solenizamos o Dia Nacional do Folclore Português, efeméride que constitui um momento único para, junto da sociedade portuguesa e das comunidades portuguesas da diáspora, promovermos todos os elementos constituintes das matrizes identitárias do povo luso, em toda a sua diversidade, em toda a sua riqueza patrimonial. Foi, sem dúvida, uma grande conquista do movimento folclórico nacional e cá nos encontramos, contra as nefastas adversidades que caraterizam a nossa realidade de hoje, a celebrar o esforço de tantas gerações de portugueses que dedicaram, muitas vezes, vidas inteiras nesta nossa missão cívica de salvaguarda do nosso património comum. A todos aqueles que, de um modo ou outro, partilham este esforço patriótico, cultural e coletivo (e foram muitos!), em nome da FFP, endereço o meu sentido reconhecimento e bem-haja!
Tal como referi em mensagens anteriores, entendo que o ano de 2020 será para sempre marcado como ano zero para o movimento associativo nacional: ano despido de festivais; ano isento de ensaios; ano desprovido de encontros, mas, sobretudo, um ano carregado de novos problemas sociais e financeiros para os grupos de folclore.
Esta nova realidade social que atravessamos lançou todos os setores do movimento associativo português numa crise mais ou menos profunda, com consequências nefastas no tecido associativo ainda por descortinar. O abrupto corte nas receitas e a constância das despesas permanentes de funcionamento das sedes sociais e espaços de apoio contribuem para o estrangulamento financeiro das instituições que requerem um olhar atento por parte do Estado de modo a viabilizar a continuidade destas forças vivas da nossa sociedade que desempenham um papel decisivo na saúde social das nossas comunidades. O CNAP, do qual fazemos parte, tem envidado esforços junto dos vários organismos do Estado de modo a encontrar soluções para estas problemáticas tão aterradoras para os dirigentes associativos que procuram, a todo o custo, manter a viabilidade das suas instituições.
Não obstante, esta nova conjuntura (que se espera ser rapidamente passageira) proporciona oportunidades para repensarmos os nossos projetos, redefinirmos prioridades e redirecionarmos as nossas atenções a outros desafios não menos importantes e que se têm remetido para segundo plano devido à azáfama da organização dos nossos espetáculos culturais. Referimo-nos ao processo de registo, sistematização, estudo e divulgação do campo científico da etnografia e da cultura tradicional e popular.
O setor associativo português do folclore e etnografia possui este imperativo de produção de conhecimento da(s) nossa(s) matriz(es) identitária(s) para memória futura. Esta tem sido a mensagem da FFP ao longo destes últimos três anos. É, neste sentido, que a Federação do Folclore Português aproveita este momento de pausa na atividade cultural habitual do seu tecido associativo para lançar o seu projeto de edição de uma coletânea de estudos temáticos diversos para o qual todos são chamados a participar tornando, este, num projeto participado, coletivo e transversal a todo o nosso movimento associativo, construído por todos: associações de folclore, colecionadores, académicos, instituições diversas, etnógrafos, folcloristas, entre outros.
Num primeiro projeto, será abordada a temática da Lençaria Tradicional Portuguesa, pelo que se solicita, desde já, que todos os interessados em colaborar possam contactar os serviços da FFP para dar indicação dessa mesma disponibilidade.
Vamos continuar a construir o nosso caminho de valorização da cultura tradicional e popular portuguesa da melhor forma possível, redefinindo estratégias de atuação e prioridades de projetos sem esquecermos as necessidades imediatas das nossas associações no combate aos efeitos devastadores da crise pandémica da atualidade.
O caminho faz-se caminhando e juntos conseguiremos ultrapassar, da melhor forma, as dificuldades por que atravessamos.
Bem-haja a todos pelo esforço coletivo neste caminho partilhado que nos conduzirá, seguramente, a bom porto.

Daniel Calado Café